Quebranto

Deveria nos incomodar
mais estar com a mão
à maçaneta do século vinte e dois
que dar as costas ao vinte.

Mas a mão de que dispomos
tem essa força viciada
na prática de espadas cegas
e léguas não percorridas.

Nosso futuro tem muitos ontens
e tributos demais ao passado –
tempo que nos trouxe aqui
e fez ceifar a imaginação.

Um homem no ano de 1347
pensava nisso agora mesmo
olhando pela vidraça arruinada
e temia. Nós não duramos,

mas algo nos deu a certeza
de errarmos o quanto quisermos.
Fim em si mesmo, mesmo a prole
é oferenda a esse novo deus.

O fogo mesquinho aquece
a voz com que destapamos a
mentira. Nada nos afeta.
Mas tudo nos definha…