O exatamente não

Podemos dizê-lo muitas vezes sem cansá-lo.
Ou devemos, mas o evitamos
como se a cada intervalo pudéssemos
encontrá-lo em nossa boca,
serpenteando entre os sonhos
apagados pelas interrupções do dia.

A resignação que nos faria admiti-lo
como a todas as coisas por evitar,
ou mesmo as deliberações do erro,
é concreta e tangível
como um berro
a conduzir o real, neste equívoco
solene, ainda que se possa descobri-lo
nas muitas formas de fazê-lo.

Mas é a sua insistência que nos persegue
e cautelosamente o evitamos
porque às suas sobreposições
se deve o sucesso da existência:
ao exatamente não.