Dragão, 5

Os braços pendem
de inúteis flâmulas
e frangalhos.

O corpo é essa
couraça varada
em arranhaduras.

Olhos fechados
de tristeza – e uma dor
que perdura por anos.

Alma é a mesma
má conselheira de erros
tolos e enganos.

O coração?
Joia quebrada e
guardada sem lado

(levei-o uma vez
à oficina e voltou
pior, sem doçura).

Ter ido à guerra
só travou-me em esperas,
chicotes, trabalho.

A alma salvei-a
com mãos nuas de quem
me a teria roubado.

Meu corpo
não serve de depósito de vinganças
(e nem sepultura).

Grandes coisas
sem serventia
queimei sem gosto.

Querer nada –
essa rebeldia –
perfeito espantalho…

O dragão que eu desejei
de quase nada mais serve –
nem pensamento

(só para empalhe mesmo).
Talvez assuste alguém assim
nesse lugar de empalamentos.

Farther west than west
beyound the land
my people are dancing
on the other wind


Ursula K. Le Guin – Tehanu

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