Achados, salvados, perdidos

Certamente parecerá estranho afirmá-lo, mas o meu objetivo como quem escreve é um dia não escrever mais nada. Nem uma linha. Encerrar o expediente das palavras.

Certa vez ouvi do romancista Cristóvão Tezza que a escrita é um ato de falta, não de excesso. Que quem vai sentar-se para escrever espera com isso preencher uma falta, uma carência, uma lacuna. De outro modo, a pessoa iria fazer outra coisa, que há muitas ao alcance de qualquer um, seja simplesmente andar por aí e olhar o mundo, seja cozinhar um punhado de arroz, fritar um ovo, ferver água.

Pois o meu objetivo também é esse e vou escrevendo naturalmente cada vez menos. Estou sendo polido como se por pedra-pomes. E já sem muito alarde, sem muita eloquência. Talvez piorando no estilo e no espírito, agora mais seco sem ser necessariamente mais sábio.

De dois em dois anos eu tento ver o que escrevi, se é possível conferir unidade às coisas que passo ao papel. Nem sempre dá certo. Sou naturalmente muito suscetível às emoções e fatos do mundo, então preciso equalizar a expressão para alcançar as coisas que quero dizer. Nem sempre há um conjunto, mas um apanhado de ideias e pensamentos que se evadiram da mente em direção à escrita e ali se consolidaram sob muitas formas, com maior ou menor felicidade.

Para montar este livreto, em virtude da pequena produção, tive de recorrer a anos passados, poemas que havia dado por prejudicados e que a releitura permitiu que os salvasse do destino mais fatal da poesia. Estes são de anos mais antigos e chamam-se “salvados”. Os mais recentes, organizados em ordem cronológica, chamei de “achados” e mais porque os encontrei mais pelo acaso da inspiração do que por um esforço da vontade.

Por fim, ainda fui a um baú dos mais estranhos, de poemas um tanto místicos que nunca encontrei direito onde publicá-los e, por isso, me pareciam destinados a ficar perdidos para sempre na memória dos poucos que os haviam lido. De certa maneira, continuam perdidos numa investigação sui generis que realizei da subjetividade na forma de algumas alegorias.

São poemas “perdidos” para o mundo e que agora não estarão mais “perdidos” para mim, porque incorporados num registro mais definitivo. Não é sem receio que pego destes poemas, pois sei que soarão estranhos se comparados aos mais recentes e mesmo aos “salvados”, mas, por outro lado, constituem forma de mostrar um “eu” ainda mais internalizado e que luta para lidar com a fonte das emoções e da subjetividade. É mais ou menos como mostrar a cobra depois de matá-la com o pau, e não vice-versa, e quem for lê-los entenderá depois porque afirmo isso.

Isso é tudo que posso dizer a respeito dessa coleção. Aqui está o mais recente conjunto de poemas que tenho. Daqui a dois anos, em 2023, nem sei se terei ainda o que exibir. Não é que vá esgotando ou secando a fonte, é que espero locupletar-me mesmo mais com a vida do que com as palavras. Posso estar iludido com isso, eu sei, mas é meu objetivo real – não ser preciso mais isso. No entanto, como não tenho bola de cristal nem quanto a mim mesmo, tudo isso eu mesmo ainda verei como se dará.

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