Daniela

Dias de varrer as folhas de volta ao relento,
de alijar as tardes de tantos lamentos,
de desentortar pregos de um balde
pelo mero prazer de endireitá-los
e devolver-lhes uma função no mundo.

Dias de esquecer as encomendas,
os atrasos, a poeira nos retratos –
nem tudo é melhor que reviva.
Às vezes, custa só se manter acordado.
Pior o soneto, bem melhor a emenda.

Dias de demorar em pouco.
A praia fresca faz convites
de recusas todas irrecusáveis.
Falar demais é coisa de roucos,
os hábeis na rouquidão e os roqueiros.

Eu, não – em mim só cabe o silêncio
que conquistei dos seus olhos. Daniela,
você é que sabe das coisas.
Eu, só mesmo de estar à deriva –
qualquer que seja o nome dela.

Dias calmos de primavera e de brisa
e eu passaria assim a vida inteira:
desfazendo planos, a projetar
menos que o próximo minuto.
Os pregos no balde por desentortar.

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