Todavia

A cidade vai descansar
nessa noite. Até os pés
das formigas pisaram-na
demais nestes dias.

Minhas mãos? Trastes
que caíram mais cedo
do seu abraço
e ninguém viu.

Não vamos mentir.
À lembrança de tudo,
nos restou do pássaro
nem o pio.

Por isso deixo a poeira
sentar em meu colo
(estou tão abandonado
quanto um piano solo).

Nem lugar para buscar eu tenho.
Para onde é que eu iria?
Fiquei sem rastro algum do espaço –
eu não sabia.

Quanta inércia que eu penso.
Ficar tão quieto quanto possível.
Voar? Não quero.
Só o inacessível.

Mas aqui mesmo, nessa praça,
catei os galhos e me esqueci
do que fazer ao fogo,
sem companhia.

Parece que conheço tudo
do que preciso, mas é mentira.
Viver é ter do amor
as avarias.

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