Cosmogonia

Estrelas confusas batem-se no céu desde abril.
Quasares, mininovas
esperam a translocação da galáxia
noutro lugar melhor,
livre da poeira que resta à toa
no cosmos.

Quem é, entre estas, cometa
e pode mesmo morrer por conta própria
sem incendiar o planeta?

E quantas desejariam o adorno
gasoso, fugaz, de anéis?

Vamos a maio e nada do céu mudar
de aparência. Pensando bem,
o que mudaria em essência?

Fixos no horizonte, iguais a camelos
nas dunas de um deserto imenso,
ou um rinoceronte ao espelho,

duros como pedra, intransigentes,
noturnos, e assim mesmo tão gastos
como penitentes.

Nessa noite em que acordei tão cedo,
botei os joelhos na lua
e fui buscá-lo de volta
antes que o matem mesmo,
dragão.

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