Companhia

Para os outros, que pouco fazes
ao escarvar a terra em silêncio.

Por nada cumpres o destino
dos frutos esquecidos

e alimentas o tempo magérrimo
com teu carinho insondável.

Tens a minha mão para ti, pega
o momento, então, e morde-o.

Não é possível que ele grite.
Deixa que ele o fecunde

e inscreva num sulco entre os olhos
a sua inesgotável vastidão.

A eternidade em que ele te encontrou
nem era dele (nem poderia),

mas enquanto o revolves em silêncio
ele sempre te fará companhia.

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