Carência

Quase nunca publico aqui poemas alheios, mas fiquei tão impressionado de conhecer tão parcialmente a obra poética deste que foi dos principais estudiosos da história literária do Rio Grande do Sul, Guilhermino César, e, como se pode ver a seguir, autor de um poema tão tocante e límpido quanto este “Carência”.

Carência
CÉSAR, Guilhermino. Sistema do imperfeito & outros poemas, 1977. p. 91

Ah os longos vazios, onde nem as palavras
me ferem. Os vazios como os próprios túneis
do neutro. Que flores, tão longe, poderão renascer
de modo que eu as veja? Passou
por aqui um vento gelado. Falta-me um guia
nestes vazios. Falta-me a sevícia do amor,
o tato experto, a carícia da seda e da pele.
Ah, os longos vazios –
polpa sem corpo num fruto de sonho.

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s