Labuta

(2010)

Esses que ainda não existem
acabaram de entrar na fila
num mundo que já explodira
: lhes falta átomo, plateia e batuta.
Mas eles não querem nem saber.

Dentre eles, a mais astuta
tem como sombra o alforje
do tempo, e nele descansam
lamentos, te-esconjuros, revoluções.

Por enquanto eles aprenderão
a tática das matilhas
até que o primeiro venha a descobrir a lua
e encampará todos os sonhos
numa matança fajuta.

Os vencidos voltarão à fila
já sem espanto, só com a fadiga.
Sem lacre, entregues à liberdade,
e a um tipo especial de silêncio.

Eles agora não erram muito
nem tentam muito,
são estudados e cada movimento
resta por estratégia, labuta.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s