O problema

Como quem atende pelo nome de outra pessoa,
sou qualquer um. Estou de partida
desde que os dias repetidos cessaram
e a chuva que era esperada
como tormenta anunciada também.

Pronto enfim, as malas prontas,
e nessa estrada infatigável, nessa lonjura,
não espero repouso.

Exceto as patas ridículas e a força débil
que mal o suporta,
o que diríamos desse dragão indócil
morto por débitos não suportados?
E ter de carregá-lo?

Eu todas as vezes tenho cantado insignificantemente.
E minha ausência total de significados
é do que percorria teus lábios e me repetias.
É do que me apagaste.

Eu guardaria tudo num frasco no fundo desta mala
de partida. Essa ilusão
e a melodia que se desfez por covardia
e que, quanto mais decomposta,
mais me empurra para trás, mas onde não há ninguém.

Viver é tão sem sentido, é como calor em excesso.
A invasão líquida do oceano nas rachaduras da praia.
E coisas criadas sem afinco ou dedicação pelo tempo
que nem se pode anunciar. Apenas se criam.
Uma imagem (ou várias) com muito contraste.

Se fosse um deus,
há um mundo que eu desejaria começar.
Nada de imortal nele ou sublime.
Nada de trágico.
O tempo perene como um mineral
ou como bem desejassem os seres viventes
ao percorrê-lo.
Se eu desejasse,
mas eis o problema.

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