Última ode

num ataúde
guardei a última ode
aguentei-a o quanto pude
matei-a sem piedade
agora prefiro a quietude

eu me tornei inclemente
sem nem notar como foi
eu sempre fora contente
a ode sempre imponente
fazia notar como dói

um grito lançado ao nada
a ode é de um boi à boiada
um berro sem nem um sentido
como se de um imenso animal
restasse somente um balido

matando-a acabei por completo
com o que ela me matava
o exagero insolúvel do “não”
sem música como o que é ouvido
do cão pela cachorrada

melhor que esteja bem morta
e que nunca mais a escute
latejar no que é dito
ser a única voz do coração
– mas que nada!

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