Meia-pataca

Sob a sombra
dos galhos secos
de um ombu,

Santiago
olhava nas mãos
o bilhete.

Ao seu lado,
o cavalo arfava
com sede

e pela boca
borbulhava
espessamente.

Sua missão
era nunca
esquecer

o que viera
fazer ali,
mas esquecera.

As letras
nada
lhe diziam

e, em suas costas,
inclemente,
o sol ardia.

Pobre Santiago
que aceitara
a incumbência

de agir
para os outros
sem entender.

Do laço
puxou
e o pendurou

na árvore.
Pensava
mais com os olhos

do que com a mente
entre a distância
de fugir,

a sede do animal
e a vontade
de morrer.

Perto dali
(se bem lembrava) havia
um riacho seco.

Era com o que
o cavalo
teria de se haver.

Livre da carga,
ele o esperava
junto à corda toda esticada.

Santiago,
índio vago
a quem

meia-pataca
contrata
el empleo

de vida
ou de morte
e cuja memória

depois
de acabado
seu último serviço

será esquecida
como se tratasse
de ninguém.

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s