A dríade

Quando isso,
se ontem mesmo
na relva erguera-se
uma inconcebível
forma de vida,
a dríade?

Quando foi,
se tenho certeza
de que amarrei
bem nos seus pulsos
as minhas
veias?

Quando, afinal,
que ela morreu (morremos),
se era ela
porque era ela
e (eu)
porque era eu?

Quando ela
abandonou o poder
que tinha sobre mim,
se havia lhe dado tudo
– e tudo já
era seu?

Quando, por
não poder,
podei a mão
que a suportava,
sem perceber
que assim eu a matava?

E, sem evidências,
deixei de ver
que a floresta
esgotava-se em
nossa ausência,
abandonada?

E todas as formas
vivas do amor
do qual a extraira
se aborreceram
de viver. A dríade morrera
e eu também: mais nada.

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