O rio

Recconhecer meus infortúnios
é tarefa da qual não declino.

A desdita é poderosa companhia,
a maldita.

Ando ao meio-dia e o sol a pino
leva-me a uma sombra fugidia.

A nuvem anda. O cão anda.
O tempo. E a outra nuvem.

Ainda um dia poderei cantar
no tom certo, dramático, efetivo.

Até lá sigo errando abertamente.
Translúcido agora, sinto-me nu.

Neste silêncio há o incômodo
do que diria e calei.

No calendário,
os dias que continuarão a faltar.

Sorte é o que preciso, apenas.
Mas nego-me a crer. Não me fio.

Não se trata de perder ou ganhar.
Não se trata disso.

Eu vejo a água passar, tudo vai passar.
Mas eu sou o rio.

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