O trapezista

Sam Bean (1974 – )
trad. do inglês

Por favor, lembre-se de mim
com alegria,
ainda próximo à roseira, rindo
e cheio de machucados no queixo.
Na época em que
contávamos cada carro preto que passava
em sua casa, abaixo da colina,
e acordados, até que
alguém nos pegou na cozinha
com mapas, uma cadeia de montanhas,
um cofrinho de porco
e uma remota visão do futuro.

Mas, por favor, lembre-se de mim
carinhosamente…
Ouvi dizer que você continua linda
e que
eles ficaram dizendo
que os portões perolados
tinham graffitis eloquentes
tipo “nós nos encontraremos de novo”
e “foda-se o homem”
e “diga para minha mãe não se preocupar”
e anjos com seus cumprimentos
cinzentos
feitos sempre com tanta pressa.

E, por favor, lembre-se de mim
no Halloween
fazendo todos os vizinhos de idiotas
com nossos rostos pintados de branco.
Pela meia-noite
nós esquecemos um ao outro
e quando a manhã chegou
eu estava morto de vergonha.
Somente agora parece tão bobo:
aquela época deixou este mundo
e depois retornou
e agora você está iluminada pela cidade.

E então, por favor, lembre-se de mim
de uma forma errada.
Na janela da mais alta torre
eles passam por nós,
mas alto demais
para ver a estrada vazia no happy hour.
Partem e ressoam
iguais aos portões
em torno do reino sagrado
com palavras como
“Achados e Perdidos” e “Não olhe para baixo” e
“Alguém me salve da tentação”.

E, por favor, lembre-se de mim
como no sonho,
éramos como bebês esfolados
entre as árvores caídas
e dormindo rápido
à parte os leões e as damas
que lhe chamaram como você gosta
e podem até mesmo
presenteá-la pelo seu comportamento
e uma chance efêmera de ver
um trapézio
balançar tão alto quanto o seu salvador.

Mas, por favor, lembre-se de mim
em minha miséria
e como eu perdi tudo o que queria…
Aqueles cachorros que amam a chuva
a perseguir trens.
Os pássaros coloridos lá em cima correndo
em círculos em volta do poço
e onde ele descansa
na parede atrás do St. Peter
tão brilhante no cinza
com tinta spray
“Quem diabos pode sempre entender?”

E, por favor, lembre-se,
raramente…
No carro atrás do carnaval,
com minha mão entre seus joelhos
e você virou para mim
dizendo “O espetáculo do trapezista foi maravilhoso,
mas nunca foi feito para durar”…
O palhaço que passava
me viu cheio de raiva
quando o estacionamento lotou
com os cachorros do circo.
Tinha algo perigoso.

Então, por favor, lembre-se de mim,
finalmente,
machucando-me em minha subida,
querida…
Mas se eu alcançar os portões perolados
farei o meu melhor desenho
de Deus e Lucifer,
um garoto e uma garota,
um anjo beijando um pecador,
um macaco e um homem
e uma banda marchando
ao redor dos amedrontados trapezistas.

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