Canino

nunca mais seu cão apareceu aqui
ele que era um bom assassino de minutos vãos
e com quem eu gostava tanto de passear à toa
melhor do que qualquer outra diversão

onde ele foi há ossos maiores (eu imagino)
e uma cama fofa tão diferente do meu desabrigo –
merece mesmo flocos de nuvens, não espinhos,
este seu cão que nunca mais vi

às vezes eu o vejo numa estrada, resoluto
e andando sempre em frente – sem ladrar –
chego a tocar sua cabeça e então (do jeito antigo)
ele vem me lamber os pés, me adorar

canino é o que era este seu cão, nunca falhava
em me ouvir e se o incomodava
com incertezas e imprecações sombrias
ele me abria o peito e lá dizia: “a vida é boa,

slow down, olhe ao redor”, mas há tempos
que faço isso: olho ao redor, procuro noite e dia,
mas desde que ele nunca mais voltou aqui
eu o alucino

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