Ning’Un

perdida naquelas dinastias
a chinesinha sabia olhar
para onde mais nada havia

(este um dom que lhe fora dado
num tempo remoto ao seu
por um seu antepassado)

os joelhos espremidos ao peito
às folhas clamava perdão
que juntas diziam: aceito

música, cante agora,
e era a árvore ou o vento
correndo sem mais demora

eterna, como o que perdura,
quero essa paisagem, dizia
(e o céu virava pintura)

olhou pela primeira vez
àquele riacho correndo e mais quis
de tudo o que a água desfez

(se o mundo parasse por ora
de ser o que nunca é –
mas sua força é demolidora)

ao longe bois e arados
– como tanta gente –
no mesmo sulco, parados

o sofrimento? nem um
que perdurasse ao erguer dos olhos
da chinesinha Ning’Un

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s