Dois caminhos, 2

estradas que abanam às árvores
não são mais longas, mas cansam mais –

não como a vida de pessoas muito velhas
que sempre andaram em frente

ou como o reflexo de um espelho
cansado da sua clausura,

cansam apenas porque trataram
de fazer delas o que não se esperava –

levassem aonde não se imaginava
ao escuro ou ao calor imprevistos,

levassem a ermos ou descaminhos
sem retorno,

aos esquecidos abandonos aguardando
a cada dia –

mas quanto a mim eu não sei,
nunca mais vou saber –

teria inventado um modo, talvez, de ficar para trás
e cuidar do que morreria,

escolheria a mim mesmo e só:
talvez não pudesse ser de outro jeito –

a estrada é perdida e eu a vejo ainda
e mesmo que ela não me busque mais,

eu, sempre que a observo,
desejo, pretendo, esqueço, desisto

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