Desde quando

desde quando essa morte nos ambiciona?
e desde quando os animais passaram a agir de forma estranha?

e as estrelas, quando passaram a nos insultar à distância?

desde quando não esperei mais e me perdi em meus passos?
e desde quando desistimos ao centro do labirinto?

e as fagulhas que o fogo faz, quando renunciaram a nós?

desde quando passamos a preferir os gradis à floresta?
e quando nos decidimos pelo assassinato que nos preparavam?

e a duração provisória da noite, desde quando nos foi o bastante?

desde quando nos mastros dos navios as fragatas já não descansam?
e desde quando o horizonte se tornou tão inviável?

e o passado, desde quando foi feito dele um refúgio?

desde quando foi indescritível dizer do modo pelo qual sobrevivemos?
e desde quando a panaceia de tudo se tornou indiferente?

e do que temos tido para sonhar, desde quando nos acordaram?

desde quando os calendários decidiram embaralhar-se?
e as promessas que nunca fizemos, quando foi que se tornaram indispensáveis?

e o que temos um do outro, desde quando nos permitimos furtar?

desde quando retomar o destino deixou de ser um suplício?
desde quando nos perdemos nos extremos a que nos compelimos?

e isto que perdura, por quanto tempo nos permitirá sobreviver?

desde quando desacreditamos no que a doçura do hálito nos explicou?
e desescrevemos a memória, como um pedaço de areia exposto ao mar?

e o que fizemos do que mal víramos para além deste inconcebível terror?

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