Vigor

na caixa de esperanças trincadas
que mantenho sobre o armário
há coisas que devia ter jogado fora
mas o tempo as embaraçou a outras
e assim, nesse contexto impreciso,
reconheço que lá adormecem juntas
cenas exaustas do futuro,
promessas pagas com novas promessas,
adiamentos uns nos outros empilhados

se eu vivesse do que vivem os animais
ou pelo menos tivesse para mim
o gratuito entusiasmo das árvores,
a chuva imensa repousando nas nuvens
ela viria e me afagaria –
eu quisera dormir um pouco mais
e sonhar os mundos solenes
que ressecam e espatifam
esse pequeno vigor da poesia

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