Exercício

continuo o caminho que minhas retinas dão
e os passos mesmo sem saber onde vão

continuo do ponto em suspenso
igual a antes, sem ainda saber o que penso

trocando a vida por bagatelas
gastando a pouca comida sem grandes cautelas

continuo o trabalho incansável de quem permanece subindo
o fardo de Sísifo não é ter de fazê-lo sorrindo?

continuo e é por vingança incontida –
por um tempo maior, talvez, que a própria vida

continuo e devo ir até o fim
dizem que farei isso por mim

apesar da palavra e do corpo, todavia
me contagie do amor, da tristeza, da alegria

continuo sob a lua imensa ou o sol a pino
inutilizando as lições que me ensino

continuo, eu espero, mais vivo que outrora
o tempo, ele começa agora

no rastro das nuvens, túneis, estradas apagadas,
elevadores, caminhos, fronteiras, escadas

continuo e onde estou nunca estive
aqui me deixaram, aqui me detive

e ainda eu penso o que deve haver mais além
e busco alhures o que não pode estar em ninguém

continuo mesmo do último verso:
viver é minha exigência, não a função que exerço

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