O ódio

tiger

Enrique Banchs (1888 – 1968)
trad. do espanhol

Brilhando por inteiro ao sinuoso
passo vai o tigre, suave como um verso,
e a ferocidade lustra qual terso
topázio o olho seco e vigoroso.

Estirando o músculo em desuso
dos flancos, lânguido e perverso,
encosta-se lentamente no disperso
outono das folhagens. O repouso…

O repouso na selva silenciosa.
A testa plana dorme entre as finas garras
e o olhar fixo, sem gáudio,

espia, enquanto abafa com a nervosa
cauda todas as outras feras,
como em esgueira… Assim é o meu ódio.

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