Greve de professores, tudo bem. Rodoviários? Aí é vandalismo

onibusp

Uma cidade não vive sem ônibus circulando, mas vive perfeitamente bem com escolas fechadas. É o que posso concluir ao comparar greves de duas categorias distintas em solo portoalegrês.

A greve atual, dos rodoviários, é manchete diária dos jornais da cidade, suas questões são mediadas por juízes do trabalho, jornalistas opinam sem parar e exigem a opinião das autoridades, que diligentemente apresentam-se diante às câmeras para dar satisfações, apontar os problemas econômicos e sociais decorrentes da greve e lavar as mãos de suas responsabilidades, esta que parece ser sua especialidade.

A greve dos rodoviários é um incômodo social por si só, sem dúvida. Isto está bastante claro para todos os porto-alegrenses.

O mesmo não pode ser dito das greves dos professores. Quando os professores da rede púbica entram em greve, não se faz 1/10 do barulho midiático que está se vendo agora. Não só seus sindicalistas não são escutados como os governantes demonstram abertamente seu desprezo ao não conceder uma audiência sequer aos seus representantes. As famílias dos alunos também não são chamadas a depor sobre o prejuízo decorrente da falta de aulas. Ninguém está nem aí, como se diz.

Afinal, por que a diferença?

Elementar, caro amigo. Com diria Caetano Veloso, sejamos materialistas. A greve dos rodoviários atrapalha a vida de empregadores, como as demissões e descontos de dias parados já atestam. O incômodo reside em que a ordem econômica é afetada nos processos produtivos. É tarefa das mais simples constatar quem são os que mais gritam e mais têm seus gritos repercutidos mídia afora. São os empresários, é a CDL, etc, etc.

A greve dos rodoviários é “criminosa” sobretudo porque atinge essas pessoas e suas atividades econômicas.

Já a educação, principalmente a pública, sabidamente não é um serviço essencial. Não serão contabilizados lucros cessantes de ninguém, muito menos dos próprios alunos. Ou principalmente deles, mesmo que isso evidencie um projeto educacional de quinta categoria. Ou nem isso. É o tipo de greve que os governantes podem desdenhar alegremente, porque afeta especialmente a população pobre.

É o que aconteceu no ano passado no Rio Grande do Sul. E no ano retrasado também. E assim por diante.

É por isso e somente por isso que os rodoviários têm uma dinamite nas mãos e os professores no máximo uma bombinha rojão. Se a greve dos rodoviários chegar a março sem solução e os professores não aproveitarem para fazer barulho junto a estes, podem esquecer de fazer greves ad infinitum. Ou mudar de categoria. Se a questão for meramente salarial, jornada e condições de trabalho, demorou.

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