Mais que suficientementente boa

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Acho muito justo que muitas mães aproveitem e comemorem esse dia, que é chamado de “seu”. Eu também comemoro, porque muitas vezes sinto que sou mãe também. Acho que aprendi com a minha própria. Não, “acho” não. Tenho certeza.

Li em algum lugar que a maternidade é comprovadamente um feito extra-uterino. Seria algo que acontece meses após o nascimento. Embora a imagem da barriga de uma gestante seja algo sagrado, a maternidade só aconteceria após a adoção. Então além de gestar, portar e parir, a mãe ainda deveria adotar seus próprios filhos. Respeitável, não?

Só uma coisa me incomoda na questão do “dia” em si mesmo. É exatamente o verbo. O ser. O verbo da verdadeira mãe não é o ser, mas o dar. As mães dão, mas sem oferecer. O que uma mãe dá não é uma oferta ocasional, é para a vida inteira. É um alimento para as células. Não se compra num supermercado, não se encontra na feira ou perdido no chão. Mas tem um cheiro intransferível que aprendemos muito cedo a reconhcer. É o cheiro que a mãe põe nas coisas, nas comidas, nas lembranças. Põe com os dedos, numa mágica que nós – os filhos – lhes ensinamos..

Para mim é um espanto que haja pessoas que ainda não reconheçam que um pai, uma avó, um tio ou até mesmo um irmão possam fazer as vezes de uma boa mãe. Não apenas a suficientemente boa, mas a boa mesmo, a boa pra lá de todas as contas. Na semana passada, a notícia abaixo me mostrou isso claramente. Essa tia mais mãe do que a própria mãe. Essa filha que recebeu e hoje está no lugar de quem pode dar, por sua vez. Tudo pode ter faltado para essa família de um salário mínimo, menos a maternidade.

http://g1.globo.com/distrito-federal/noticia/2013/05/sem-filhos-domestica-cria-sobrinha-com-down-rejeitada-pelos-pais-no-df.html

Eu sinto muito pelas mulheres que, vítimas de uma sociedade injusta e de vidas que não mereceram, não podem ou não tem o que dar a seus filhos. Ninguém nasceu para faltar, mas para dar a vez aos que vêm, com um mínimo de dignidade.

Talvez devesse estar pensando nas mães e filhos das famílias dos comerciais de margarina (ou das fotos do Facebook), mas mais ou menos todos sabemos que a vida não é assim, nem de perto. Eu sinto muito por aqueles que não têm uma mãe ou quem quer que seja para dirigir uma lembrança ou devolver um pouco de reconhecimento, seja num presente ou num abraço.

E pensar que nesse exato instante há pessoas fazendo lobby contra a adoção por casais homossexuais.. Como diz uma amiga, só pode estar faltando “louça” para essas pessoas.. Para entender melhor o que estou falando, vamos ouvir o recado desse garoto inglês.

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